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Estudos da Linguagem

PENNYCOOK, A. A linguística Aplicada dos anos 90: em defesa de uma abordagem crítica In: SIGNORINI, I. e CAVALCANTI, M. C. (Orgs.). Linguística Aplicada e Transdisciplinaridade: questões e perspectivas. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p. 21-46.

Comentário Geral

A leitura do texto propiciou a reflexão acerca dos rumos que a pesquisa na Linguística Aplicada  vem tomando a partir das concepções de língua e linguagem aceitas ao longo do tempo:

As distinções no modo de pensar a linguagem e a aquisição de língua, no século XX, resultou no desvinculamento desses estudos, das questões históricas,  sociais, culturais e políticas.  O pensamento dualista do iluminismo europeu, levou, portanto, a uma divisão problemática entre o indivíduo e a sociedade,  a cultura e a sociedade e entre a cultura e a cognição. (PENNYCOOK, 2008, p.26)

Para a linguística aplicada, especialmente no que se refere ao ensino de línguas,  essa visão, mencionada pelo autor, implica no que ele chama de “trivializacão do conteúdo e ênfase excessiva na competência comunicativa”, refletindo um sistema educacional empenhado em padronizar o comportamento linguístico dos alunos, “reduzindo a linguagem a um sistema que existe para a transmissão de mensagem ou para fazer coisas com as palavras.” (pp. 26, 27)

Pennycook (1998) argumenta em favor da adoção de uma visão crítica e transformadora nas pesquisas e estudos em LA voltadas para a educação. É importante que se destaque a ênfase educacional abordada no texto uma vez que, como sabemos, a LA abrange diversos campos do saber em que a linguagem esteja envolvida.

O autor alerta, além disso, sobre a necessidade de se repensar o papel da LA dos pontos de vista pedagógico e político para evitar a recorrente manutenção de reclusão e repressão social que a aprendizagem de línguas vem promovendo (p. 22). É necessário, assim, explorar o caráter político da educação de línguas a partir da concepção de que linguagem, indivíduo e sociedade não possam ser dissociados mas compreendidos como uma complexa e variável instituição. 

Pennycook (1998) argumenta sobre os benefícios à pesquisa resultantes das alegações de objetividade e da obsessão pela prova quantitativa, destacando assim, o necessário reconhecimento das bases ideológicas do linguista aplicado e a busca pela compreensão e pelas mudanças no campo de estudos. (p. 43) Embora reconheça não ser essa uma tarefa fácil,  o autor convoca a construção da linguística aplicada como um projeto crítico. 

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MOITA LOPES, L. P. A transdisciplinaridade é possível em linguística aplicada? In: SIGNORINI, I.; CAVALCANTI, M. C. (Org.). Linguística aplicada e transdisciplinaridade. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p. 101-114

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MATENCIO, M. L. M.. O campo dos estudos da linguagem, a Linguística Aplicada e a pesquisa em sala de aula. Littera (Pedro Leopoldo), Pedro Leopoldo, v. 3, n.3, p. 7-17, 2001

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