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Estudos da linguagem - Meu Percurso na Disciplina


Sinto ser um dever iniciar este diário tratando especialmente do valor que a metodologia que em inglês chamamos Blended Teaching tem representado para o meu processo de aprendizagem. Confesso que até o momento, no curso de Mestrado, me senti perdida com a linguagem dos textos e, principalmente, não conseguia falar sobre eles. Tinha começado a acreditar que jamais corresponderia às expectativas do programa porque eu, simplesmente, não estava aprendendo.

Agora, no entanto, através do uso de ferramentas que eu já conhecia, mas nunca experimentara em prol de mim mesma (sempre foi um recurso didático mais aplicável em sala de aula do que utilizado por mim), estou não apenas aprendendo o que é proposto, mas também, me conhecendo melhor com relação ao meu próprio processo de aprendizagem. Tenho percebido o que me faz aprender e o que me motiva à busca pelo conhecimento.

As atividades online permitem que eu consiga exprimir meus pensamentos na modalidade escrita e nesta, eu sempre me saí muito melhor mesmo nas séries iniciais da minha idade escolar. O discurso oral nunca foi em mim uma característica forte apesar de o desejo de desenvolvê-lo melhor sempre ter existido.

De fato, poder ler tranquilamente as opiniões dos meus colegas, trabalhar de modo colaborativo com eles, elaborar minhas ideias e revê-las tem servido não apenas para aumentar a minha confiança como aprendiz quanto a propriamente aprender, refletir, reelaborar. Este reelaborar tem sido um presente uma vez que através dele eu consigo me perceber autônoma e agente do meu aprendizado.

07 de junho de 2017.
O primeiro encontro desta segunda fase do curso Estudos da Linguagem serviu para a que pudéssemos alinhar as atividades a serem desenvolvidas, conhecer a docente, definir os textos a serem lidos e conhecer melhor Os Caminhos da Linguística Aplicada, a partir da explanação da professora. O encontro deixou bastante expectativa com respeito ao fato de que se seríamos ou não capazes de seguir a nova metodologia a ser utilizada: o Blended Teaching.

14 de Junho de 2017.
A aula aconteceu no laboratório de informática da Universidade. Meus colegas foram apresentados à plataforma online de aprendizagem e se familiarizaram com o seu funcionamento para que fosse possível a realização das atividades. Ferramentas como o coggle, a Wiki, a construção do portfólio de aprendizagem são fundamentais nesse novo momento da disciplina. Iniciamos as atividades online conforme descrito abaixo:

Atividade I

MATENCIO, M. L. M.. O campo dos estudos da linguagem, a Linguística Aplicada e a pesquisa em sala de aula. Littera (Pedro Leopoldo), Pedro Leopoldo, v. 3, n.3, p. 7-17, 2001

A riquíssima atividade de construção do mapa mental do texto supracitado possibilitou a compreensão do mesmo e de vários outros aspectos relacionados a linguística aplicada que, outrora, não ficaram claros para mim. Foi possível traçar a trajetória histórica da disciplina que hoje reclama sua independência da Linguística hegemônica. Além disso a autora sugere que a especificidade da Linguística Aplicada que a distingue da Linguística não é o objeto de estudo em si, mas no foco do uso da linguagem. Assim, a noção de transdisciplinaridade é moldada nos termos de que a Linguagem é de interesse não apenas dessas duas áreas, mas de várias outras, como a Sociologia, a Psicologia, etc, cada uma com um ponto de investigação específico.

19 de junho de 2017.
Neste ponto realizamos duas atividades diferentes a partir dos dois textos referenciados a seguir. Uma das atividades consistiu em participação no fórum e a outra, a elaboração da resenha do texto a ser realizada em grupos. Minha equipe foi integrada por Cremilton Santana, Jaquissom Guimarães e eu, Laís Lobo.

Atividade I

PENNYCOOK, A. A linguística Aplicada dos anos 90: em defesa de uma abordagem crítica In: SIGNORINI, I. e CAVALCANTI, M. C. (Orgs.). Linguística Aplicada e Transdisciplinaridade: questões e perspectivas. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p. 21-46.

Foi solicitada a discussão no fórum acerca dos seguintes questionamentos: Qual a crítica do autor em torno das concepções de linguagem empreendidas ao longo dos estudos da área e que implicações isso traria para as pesquisas em LA? Como o autor explora a perspectiva de uma concepção de linguagem apolítica e a-histórica? quais os problemas vinculados a essa forma de conceber a linguagem? Quais as considerações do autor em torno do predomínio do paradigma positivista nas pesquisas em LA? E, por último, Quais os nossos destaques sobre o texto? O que nos propicia reflexões? Com base nos comentários dos meus colegas e a partir de novos questionamentos levantados por eles, cheguei a seguinte conclusão, cópia aqui, do que foi postado no fórum:

A leitura do texto propiciou a reflexão acerca dos rumos que a pesquisa na Linguística Aplicada vem tomando a partir das concepções de língua e linguagem aceitas ao longo do tempo:

As distinções no modo de pensar a linguagem e a aquisição de língua, no século XX, resultou no desvinculamento desses estudos, das questões históricas, sociais, culturais e políticas.  O pensamento dualista do iluminismo europeu, levou, portanto, a uma divisão problemática entre o indivíduo e a sociedade, a cultura e a sociedade e entre a cultura e a cognição. (PENNYCOOK, 2008, p.26)

Para a linguística aplicada, especialmente no que se refere ao ensino de línguas, essa visão, mencionada pelo autor, implica no que ele chama de “trivializacão do conteúdo e ênfase excessiva na competência comunicativa”, refletindo um sistema educacional empenhado em padronizar o comportamento linguístico dos alunos, “reduzindo a linguagem a um sistema que existe para a transmissão de mensagens ou para fazer coisas com as palavras.” (pp. 26, 27)
Pennycook (1998) argumenta em favor da adoção de uma visão crítica e transformadora nas pesquisas e estudos em LA voltadas para a educação. É importante que se destaque a ênfase educacional abordada no texto uma vez que, como sabemos, a LA abrange diversos campos do saber em que a linguagem esteja envolvida.

O autor alerta, além disso, sobre a necessidade de se repensar o papel da LA dos pontos de vista pedagógico e político para evitar a recorrente manutenção de reclusão e repressão social que a aprendizagem de línguas vem promovendo (p. 22). É necessário, assim, explorar o caráter político da educação de línguas a partir da concepção de que linguagem, indivíduo e sociedade não possam ser dissociados mas compreendidos como uma complexa e variável instituição. 

Pennycook (1998) argumenta sobre os benefícios à pesquisa resultantes das alegações de objetividade e da obsessão pela prova quantitativa, destacando assim, o necessário reconhecimento das bases ideológicas do linguista aplicado e a busca pela compreensão e pelas mudanças no campo de estudos. (p. 43) Embora reconheça não ser essa uma tarefa fácil,  o autor convoca a construção da linguística aplicada como um projeto crítico. 

Atividade II

EVENSEN, L. S. A linguística aplicada a partir de um arcabouço com princípios caracterizadores de disciplinas e transdisciplinas. In: SIGNORINI, I. & CAVALCANTI, M. C. (Org.) In: Linguística aplicada e transdiciplinaridade. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p. 73-88

A elaboração da resenha do texto em grupo ajudou tanto a compreender melhor as ideias apresentadas a partir dos parágrafos escritos pelos colegas quanto a concluir a atividade de modo mais eficiente. Neste texto, pudemos perceber os argumentos que dão suporte a caracterização da LA como disciplina.

27 de junho de 2017.

Atividade I
SIGNORINI, I. Do residual ao múltiplo e ao complexo: o objeto da pesquisa em Linguística Aplicada. In: SIGNORINI, I.; CAVALCANTI, M. C. (Org.). Linguística aplicada e transdisciplinaridade: questões e perspectivas. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p. 89-98

Instruções foram dadas para a construção de mais um mapa mental, desta vez, do texto supracitado (e dois outros que serão mencionados posteriormente). Apesar de a tarefa desta vez ter sido feita mais facilmente, dada a familiaridade com a plataforma de confecção do mapa (coggle.it), o entendimento do texto em si foi mais arrastado por conta das metáforas e linguagem complexa utilizada pela autora do texto. Este mapa, no final, ficou com vários “mini textos” que não consegui reduzir a uma palavra ou frase mais sucinta. De qualquer modo, tenho a sensação de ter captado a ideia central do texto: tratar dos múltiplos caminhos que a pesquisa em LA pode levar o pesquisador por esta não se prender a teorias e métodos engessados, de extrema cientificidade, mas de possibilitar-se descobrir e redescobrir-se durante o processo de investigação.

Atividade II

MOITA LOPES, L. P. A transdisciplinaridade é possível em linguística aplicada? In: SIGNORINI, I.; CAVALCANTI, M. C. (Org.). Linguística aplicada e transdisciplinaridade. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p. 101-114

Construção individual do mapa mental do texto cujo objetivo é o de discutir questões acerca das ideias de transdisciplinaridade da LA à luz de Gibbons e. al. 1994. A leitura deste texto me chamou a atenção já na introdução onde o autor alerta para o fato de que sequer “a natureza interdisciplinar da LA foi suficientemente entendida e aplicada, já se coloca para esta área de investigação um outro modo de produzir conhecimento, de cunho transdisciplinar.” (cf. p. 101) De qualquer modo, ele apresenta características de transdisciplinaridade de um modo geral e em seguida as relaciona com as práticas em Linguística Aplicada.

Atividade III

CELANI, M. A. A. Transdisciplinaridade na linguística aplicada no Brasil, In: SIGNORINI, I.; CAVALCANTI, M. C. (Org.). Linguística aplicada e transdisciplinaridade. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p.115-126.

Construção em equipe do mapa mental do texto referenciado acima. O objetivo do texto foi o de “esboçar um panorama da LA no Brasil como área transdisciplinar” (cf. p. 115). A realização desta atividade foi a mais desafiadora de todas, uma vez que, um mapa mental a partir da linha de raciocínio de várias mentes exige que se discuta e analise o modo de pensar dos outros componentes para que a construção final represente uma unidade de ideias em consonância com as informações apresentadas no texto estudado. Este tipo de experiência me ajudou a “ler” o texto sob diferentes ângulos compreender melhor os argumentos da autora. Porém, para o meu processo de aprendizagem, apesar dos aspectos positivos, não sinto que tenha contribuído. Acredito que se cada um de nós tivéssemos feito mapas individuais e, após discussão do grupo transformássemos os quatro em um só, eu teria aprendido mais do texto. De qualquer modo, compreendo que é uma atividade colaborativa e existem mais coisas a serem aprendidas do que apenas aquilo que está escrito lá.

05 de julho de 2017.

O encontro presencial que se deu em seguida contribuiu para a reflexão em grupo e discussão acerca dos textos estudados até o momento. Expusemos nosso entendimento sobre as questões levantadas pelos autores, opinamos e compartilhamos experiências. Foi importante perceber que esse encontro proporcionou um "fechamento" de ideias e dúvidas que porventura ainda nos restassem sobre os textos trabalhados. Me senti mais preparada e madura tanto para essa fase de estudos da pós-graduação quanto para a apresentação do seminário a ser realizada na semana que se segue.

12 de julho de 2017
ROJO, Roxane. Materiais didáticos no ensino de línguas. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo da (Org.). Linguística Aplicada na modernidade recente: Festschrift para Antonieta Celani. São Paulo: Parábola Editorial, 2013. p. 163-195.
O fechamento da disciplina se deu a partir da apresentação de seminários sobre textos diversos que complementariam as informações sobre Estudos da Linguagem. Foi um momento rico pois viabilizou o contato com diversos temas que talvez, em decorrência das atividades diárias, não fosse possível que individualmente pudéssemos ter. Minha apresentação, do texto de ROJO (2013), tratou da importância das novas tecnologias como material a ser utilizado nas aulas de línguas, materna e estrangeira, uma vez que são flexíveis ao uso do professor, adaptáveis as realidades regionais e de grupo e conseguem contemplar diferentes estilos de aprendizagem, favorecendo um trabalho mais significativo em sala de aula.

Uma palavra final

Descrever e avaliar o percurso de aprendizagem numa disciplina ou componente curricular mostrou ser uma atividade para além de valor de memória. A reflexão e a escrita acerca das vivências individuais e coletivas me ajudou a consolidar o conteúdo a ser aprendido, a desenvolver a criticidade, a disciplinar-me a escrever com maior frequência e sobre aspectos importantes de minhas experiências.
Percebo que nas minhas entradas menciono bastante informações relevantes ao processo de aprender. Falo disso muito mais do que daquilo que foi aprendido em si. Acredito que isso se deva tanto ao formato da atividade quanto ao meu interesse pelos aspectos cognitivos da mente humana e talvez, por conta das minhas veias da área de psicopedagogia. De qualquer modo, acredito que essas individualidades definem bastante o texto que vai sendo construído no dia a dia da atividade de diário.
Infelizmente, porém, conhecendo-me, devo dizer que se não tivesse sido um requisito semanal a ser cumprido, este hábito não seria mantido, embora, eu tenha apreciado. Fica aqui a vontade de buscar a disciplina necessária para fazê-lo de hoje em diante.


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